Fiquei impressionada quando vi, no Youtube, o suposto uso de um holograma ao vivo na CNN. Ao que tudo indicava, a emissora havia conseguido projetar no estúdio, tridimensionalmente, o corpo de uma repórter que estava a milhas de distância dali.
Mas o "repórter holográfico" não era exatamente um holograma. A imagem da jornalista não estava sendo reconstituída em 3D no estúdio. Várias câmeras captavam imagens da repórter, que depois foram remontadas e sobrepostas à imagem do estúdio por computador.
Pela TV, o telespectador tinha a impressão de estar diante de uma projeção tridimensional - um resultado impressionante. Mas, na verdade, nem o apresentador via a repórter, nem a repórter via o apresentador. Eles olhavam para o nada.
Pode ser que, ainda assim, isso represente um grande "salto tecnológico" no jornalismo televisivo. Mas não deixa de ser uma farsa, já que em nenhum momento da transmissão a CNN deixou claro o que estava acontecendo.
No vídeo, depois de anunciar que os telespectadores veriam algo nunca antes visto na televisão, o apresentador diz que a equipe vai trazer a repórter "para dentro" do estúdio. E eis que surge a projeção. "Parece que você realmente está aqui", diz ele. Depois de passar algumas informações jornalísticas (ela cobria a contagem de votos na eleição presidencial), a repórter diz se sentir "como a princesa Léia" e explica que está dentro de uma tenda, cercada por câmeras. Vergonha alheia.
O professor de física Hans Jürgen Kreuzer disse à CBCNews que se tratava, na realidade, de um tomograma, uma imagem capturada por todos os lados, reconstruída por computadores e apresentada na tela, enquanto hologramas são projetados no espaço.
Agora, resta esperar a versão abrasileirada do pseudo-holograma, que provavelmente estreará num conhecido programa de domingo à noite.
Humpf. Pelo menos as telas touchscreen são mais honestas.

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