Spiga

MINI-CLIPPING
Ano novo :: Listas, resoluções e retrospectivas

Um apanhado do que saiu por aí (=internet) sobre jornalismo e mídia, no mais tradicional espírito de "adeus, ano velho; feliz ano novo":


Online Journalism Blog

O jornalista Paul Bradshaw faz suas previsões. Segundo ele, 2009 não será o ano da internet móvel, nem da Web semântica. Em compensação, será o ano de maior vulnerabilidade do gigante Google. E outras coisinhas mais.


Telegraph.co.uk :: Technology - Blog de Shane Richmond

Sim, um tradicional post de auto-referência. Mas... Destaque para a matéria número um da lista: The 101 most useful websites. Entrego o [abre ironia] surpreendente [fecha ironia] primeiro lugar: Google. Nem vou linkar.

Outros textos com espírito de ano novo no mesmo blog: Five social media New Year's resolution for your business (por Robin Grant), Social media to-do list 2009 (por Ilana Fox) e Three wishes for social media in 2009 (por Paul Bradshaw).


Mastering Multimedia

Destaca, entre outras coisas, as reformulações gráficas de sites noticiosos e a "maturidade" atingida por vídeos e slideshows jornalísticos online.


Comment is free :: guardian.co.uk

Tim Luckhurst sugere a todos os que acreditam na liberdade de expressão e de publicação que, em 2009, comprem um jornal de circulação nacional todos os dias. Sim, melhoraria o mercado de trabalho para os jornalistas.

Tomo a liberdade de fazer também minha sugestão: estudantes de jornalismo e jornalistas, comprem revistas e jornais. E dêem muitos cliques para os portais. Acho que se todos fizéssemos isso, não seríamos tantos desempregados. Nós produzimos, nós mesmos consumimos.



Centerpieces :: Poynter Online
Regina McCombs lista várias matérias online que fizeram um bom uso dos recursos multimídia.


Rádio Cooperativa do Chile
O site tem um visual interessante e bons recursos. Lista os principais acontecimentos do ano, com imagens e links para arquivos de texto e áudio.






Aos que passarem por aqui nos próximos dias, 
um feliz ano novo. E aos que não passarem, 
também.

Flávia

RETROSPECTIVA 2008
Os dez fatos mais marcantes na mídia online

O jornalista Mark Glaser publicou no blog MediaShift uma lista dos dez acontecimentos (ou fatos, ou ocorrências, ou narrativas) que mais marcaram a comunicação via Web em 2008. Os tópicos e sua importância foram definidos em votação feita entre os leitores do blog.

São acontecimentos e temas relacionados principalmente à Web e ao mercado norte-americanos. Portanto, não valem totalmente para o Brasil. Mas como as coisas que acontecem no norte tendem a escorrer até o sul com o tempo, a lista talvez antecipe algumas das coisas que estão por vir nestas bandas de cá.

A lista do MediaShift:

1. O uso que Obama fez da internet em sua campanha.


2. Crise dos jornais impressos, com debandada de leitores para o meio online.

3. O Twitter se torna uma importante fonte de notícias.

In 2007, Twitter gained notice beyond being a casual micro-blogging tool during the bridge collapse in Minneapolis and the Southern California wildfires. In 2008, Twitter became a "first-responder" platform to hear about an earthquake in China and the terrorist attacks in Mumbai. While it's difficult to report a story on Twitter, it's easy to get a quick text note out to the "Twittersphere," which then could get picked up by journalists, who are now using the platform even more.


4. A recessão se acelera e afeta o mundo da mídia.

So just how has the recession brought about a media shift? In advertising, traditional media has suffered mightily from the downturn, while many online ad types -- including paid search, dominated by Google -- have been spared so far. Zenith Optimedia, for instance, predicted that online advertising worldwide would be up 18% next year, even as overall U.S. advertising is predicted to drop 6.2%. Still, Internet startups trying to depend on advertising alone are having a tough time getting funding.

5. O jornalista John Marshall ganha o prêmio Polk de jornalismo investigativo por uma matéria publicada na internet. Pulitzer estende premiação para reportagens online.

6. O iPhone 3G e o crescimento do uso de internet móvel.

7. Yahoo entra em crise e flerta com Microsoft e Google.

8. A audiência da televisão continua a se fragmentar.

9. Sites de checagem se tornam indispensáveis durante a eleição americana.

Most journalists would report in the "he said/she said" style without saying an ad was blatantly false or not. That left an opening for sites like FactCheck.org and PolitiFact to jump in and offer non-partisan fact-checking on political speech.

10. Experimentações com modelos não-lucrativos no jornalismo online.

FOTOGRAFIA
A menina de vestido branco


Vi, na quinta passada, a fotografia premiada como melhor do ano pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef). A imagem, de autoria da belga Alice Smeets, mostra uma menina em uma favela em Porto Príncipe, no Haiti. Pensei em postar algo aqui, mas achei que não "caberia" no espírito do blog - mais direto, pragmático e neutro, segundo minhas ilusões de autora.

Mas, dias depois, com a lembrança da imagem ainda na cabeça, decido postá-la e comentar que há muito mais nela do que pobreza, dois porcos e uma garota de vestido branco. Porque é isso o que vemos: a contradição do ambiente com a roupa da menina, talvez de festa. E festa lembra alegria, que não combina com pobreza, certo?

As coisas não são bem assim. Talvez tudo o que a menina esteja vendo é seu vestido e a ocasião para a qual ela o veste - uma festa de aniversário, um casamento, um feriado, uma brincadeira ou a mera vontade de vesti-lo.

Ela provavelmente não vê o ambiente em que está como nós o vemos, triste e inabitável. Nossa narrativa, de espectadores fora da situação, tende a colocar a pobreza em primeiro plano. Na dela, de participante, é a ocasião do vestido branco que está em destaque.

Mas, de novo, eu estou de fora, e tudo isso é uma hipótese.

Faz sentido?

FUTURO DA PROFISSÃO
Dez coisas que um jornalista pode ser quando crescer

Dizem por aí que os jornalistas estão com os dias contados, que os blogs e o jornalismo cidadão/colaborativo/não-profissional vão dominar o mundo. Então, jornalistas, seus seres defasados, inventem outras coisas para fazer!

Já pensei em usar o diploma para prestar concurso público e virar motorista de metrô ou fiscal de reservas ambientais. Mas esta lista, criada pelo blog sueco Mindpark e traduzida para o inglês pelo blog Beta Tales, apresenta funções muito mais condizentes com o que um jornalista pode fazer, utilizando seus conhecimentos (?) de internet, novas tecnologias, redes sociais, medição de audiência...

Em tradução rápida para a língua de Saramago, num futuro não tão distante os jornalistas podem ser: editores de busca, editores de estatísticas, editores de projetos, editores de links, editores de comunidades, editores de rede e conversação, editores de tags, editores de mashup, editores de qualidade Web e editores de Internet (como tema).

Via Ponto Media

ARQUIVO DIGITAL
Veja :: A metamorfose de uma revista

Ótima notícia para aqueles que estudam o jornalismo: está no ar o acervo digital da revista Veja, com a íntegra de todos os exemplares da revista desde 1968, quando foi criada. O investimento no projeto de digitalização foi de R$ 3 milhões.


É interessante navegar pelos exemplares antigos (década de 90 para trás) da revista e notar a metamorfose sofrida por ela na última década, quando se tornou uma espécie de manifesto anti-esquerda travestido de jornalismo e alimentado pela intransigência.

Vale comparar, por exemplo, duas matérias de capa sobre o mesmo tema: o mito em torno de Che Guevara. A mais recente, publicada em outubro de 2007: Che - A farsa do herói. Verdades incovenientes sobre o mito do guerrilheiro altruísta, quarenta anos depois de sua morte. A mais antiga, de julho de 1997: A ressurreição de Che Guevara.

Enquanto a matéria de 2007 dedica-se a enquadrar Che Guevara na categoria de mito do mal e da patetice, mesmo que para isso seja preciso passar por cima de princípios do jornalismo, a de 1997 pode ser chamada de reportagem e contém parágrafos que seriam simplesmente impensáveis na Veja de hoje. Traz, por exemplo, a seguinte legenda para um conjunto de fotos:

James Dean, Jimi Hendrix e John Lennon também são ícones da juventude - a vida deles se encerrou abruptamente, alimentando o mito. Che Guevara morreu por suas idéias, aos 39 anos. Parecia ter menos e se comportava como se tivesse a metade. Deixa um legado universal de solidariedade e desprendimento, captado com avidez pelos combatentes de Chiapas, no México, ou pelo Movimento dos Sem-Terra, no Brasil. Desprezou as armadilhas do poder, acreditou que moveria montanhas e, ao morrer, se tornou imortal.


Já a matéria de 2007 traz a seguinte abertura:

Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa - "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada.* Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".

*A frase foi lembrada pela própria Veja, na reportagem de 1997, mas não com o mesmo uso de 2007.

Dez anos separam duas matérias de capa de Veja sobre o mito de Che Guevara. Mesmo nome, revistas diferentes.

ANÁLISE
Do jornalismo e de como as coisas se chamam

Finalmente! Achei um texto que problematiza a "crise". Não os desaquecimento econômico provocado pelas tais hipotecas nos EUA, mas a palavrinha tão adorada pelos noticiários. "Crise". Submanchete no UOL: Presidente Lula pede que bancos baixem juros para amenizar efeitos da crise. Título no canal de economia do Terra: Medidas anticrise já passam dos R$ 250 bilhões no Brasil. Chamada da Época Negócios no G1: Crise foi parar até nas camisetas.

Em inglês, "crisis", que é também o termo que os veículos americanos têm usado com maior freqüência. O texto que problematiza a questão: No Question We're in a Financial Pickle. What Do We Call It?, de Brian Stelter, no site no The New York Times (sim - ele, de novo).

Traduzindo livremente alguns trechos:

"Os veículos noticiosos sempre sentem a necessidade de nomear tudo", disse Jonathan Wald, vice-presidente sênior de negócios jornalísticos da CNBC. "Se não está rotulado, não existe na televisão moderna". Ele observou que os canais de televisão na Índia rapidamente rotularam os ataques do mês passado em Mumbai como "Guerra em Mumbai" e "11 de setembro da Índia".

(...) atribuir um nome e um "logotipo" para um acontecimento corre o risco de desvalorizá-lo [talvez "pervertê-lo" seja um termo melhor] na mente do público. A tendência de se chamar todo escândalo potencial de "gate", em alusão a Watergate (...) "tende a desvalorizá-lo", disse Wald.

Além disso, o termo utilizado para designar algum fato sempre acaba exercendo influência sobre a percepção pública e, por extensão, sobre a própria cobertura jornalística. Nada muito complexo: dê-me uns minutinhos num canal de TV, digo que vivemos uma crise, repito e repito isso, e convenço as pessoas e a mim mesma de que, sim, estamos em crise. Então, que vivamos a crise.

Pois uma das poucas coisas que aprendi sobre economia é que seus fatos são, em grande parte, psicológicos. O "mercado" fica nervoso, sente alívio e ansiedade, às vezes levanta de mau humor e derruba as bolsas.

[abre momento de auto-crítica] Talvez eu esteja desvirtuando as coisas. Afinal, jornalismo é linguagem. E, como já ouvi de vários palestrantes e "mestres" jornalistas, simplesmente não dá para ficar problematizando e investigando os múltiplos sentidos das palavras que aparecem aos milhares no papel ou na tela. [fecha momento de auto-crítica]

Ok, ok. Mas que é um assunto interessante, isso é. E não é um caso isolado. Há algumas expessões cunhadas pelos jornalistas que cintilam e imploram por um olhar mais crítico.

Alguém aí se lembra do "caos aéreo"? Expressão que foi tão usada, tão repetidamente, que se tornou verdade em si mesma. Até hoje corremos o risco de cair novamente nesse "caos". Basta o tempo fechar, os vôos atrasarem e as filas do check-in ficarem grandes. E envia-se um repórter para cobrir o "caos" in loco. Não chega nem perto do caos nosso de cada dia nos terminais de ônibus e estações de trem. Mas isso seria assunto para outro post.

MINI-CLIPPING
E no fantástico mundo das premiações...

(a) Prêmio Esso divulga vencedores de 2008 e (b) Pulitzer estende premiação para textos publicados na internet.

(a) Do Portal Imprensa, em 10/12/2008:


Matéria polêmica sobre a Igreja Universal rende Prêmio Esso a Elvira Lobato

Redação Portal IMPRENSA

A jornalista Elvira Lobato, repórter da Folha de S.Paulo e autora da matéria "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", que falava sobre os bens adquridos pela Igreja desde a sua fundação, foi a grande vencedora do "Prêmio Esso de Jornalismo 2008". A premiação da profissional ocorreu na última terça-feira (9), em evento realizado no Hotel Copacabana Palace, em São Paulo (SP). (...) texto completo, com lista dos premiados


(b) Do Blog do GJOL, em 09/12/2008:


Pulitzer expande premiações

O Pulitzer Prizer, a principal premiação jornalística dos Estados Unidos, anunciou que vai expandir a sua premiação, incluindo a partir de agora, textos publicados na internet. As submissões (...) serão incluídas nas 14 categorias que a organização já premia. (...) texto completo

INOVAÇÕES
A home page alternativa do NYTimes.com

O site do jornal The New York Times está levando a sério a "tendência" de se publicar links para conteúdos de outros veículos. Agora, os usuários do NYTimes.com têm a opção de visualizar o site com uma home page alternativa. Ela mantém os mesmos títulos da home tradicional, mas acrescenta pequenas caixas logo abaixo das chamadas, com links para matérias sobre o assunto publicadas por outros sites e blogs.

As listas de links na nova home page são alimentadas pelo agregador Blogrunner, da The Times Company, que cria os rankings com base na popularidade das páginas na Web.

Para mudar da home page tradicional para a alternativa, o usuário precisa acessar o site e clicar no botão "Try our Extra Home Page", no canto superior direito da página, logo depois do nome do veículo e da data:



Aberta a home page alternativa, o usuário tem a opção de voltar à home tradicional clicando no botão "Switch back".

Chamadas na home page convencional do NYTimes.com:

E na home alternativa, com listas de links para outros veículos na Web:


Para a vice-presidente e chefe de publicidade do The New York Times Media Group, a criação da nova home é uma forma de responder às demandas da audiência por "interatividade, comunidade, multimídia, notícias e informação", segundo texto de divulgação distribuído pela empresa. Com isso, o site se tornaria mais atrativo para anunciantes - o que seria providencial, já que o NYT pretende hipotecar o edifício de sua sede para pagar uma dívida que chega a U$ 1 bilhão.

EUA
Veículo local, apuração (muito) remota

Começou com o setor de call centers. Ao ligar para o fabricante para tirar uma dúvida sobre algum produto, um consumidor norte-americano tem grandes chances de falar com um indiano, trabalhando na Índia, com um inglês praticamente perfeito e um salário muito menor do que o de um sobrinho do Tio Sam. É o tal do outsourcing.

Agora, esse tipo de terceirização chega ao jornalismo. O site californiano Pasadena Now trocou seus repórteres americanos por indianos, que "apuram" suas matérias por telefone e e-mail - ou, simplemente, dão um "tapa" nos releases recebidos (prática muito comum, a julgar pelo conteúdo do site). Enquanto os jornalistas dipensados recebiam em torno de U$ 2.800,00 por mês, os indianos recebem U$ 7,50 por mil palavras.

Mais detalhes, em português, no post Outsourcing de jornalistas pela web, no blog Internet Buzz, de Sandra Carvalho.

E, em inglês, na coluna de Maureen Dowd, no The New York Times.

Home page do site Pasadena Now - indianos no lugar de americanos, e releases no lugar de reportagens

ESTUDO
O crescimento da blogosfera em países da AL

A agência americana The Jeffrey Group realizou um estudo sobre o desenvolvimento da blogosfera em países da América Latina. Foram analisados 168 dos blogs especializados mais acessados no Brasil, na Argentina, no México e na Venezuela. Seus autores foram entrevistados pela antropóloga Soledad Laborde, pesquisadora da agência, afirma texto de divulgação publicado pelo The Jeffrey Group [press-release; pdf; 3 páginas].

Segundo a agência, merecem destaque as seguintes conclusões do estudo:

  • Os blogueiros se desenvolveram frente a uma onda de formadores de opinião e influenciadores que atingem jovens, consumidores potenciais e uma nova geração de formadores de opinião. Eles são um meio de interação com o mercado.
  • Jornalistas são autores de 61 dos 168 blogs pesquisados nos quatro países estudados pelo The Jeffrey Group. A maioria justificou que a liberdade editorial é o motivo principal de manter um blog.
  • A cobertura da mídia na América Latina entre blogs e blogueiros é difundida. Entre as centenas de artigos revisados durante seis meses, o The Jeffrey Group encontrou 11.572 menções de blogs e blogueiros nos quatro países estudados.
  • De acordo com o Target Group Index (TGI), um estudo de mercado global com fonte única de pesquisa, foi estimado que existiam 9,1 milhões de blogueiros na América Latina em 2007, ou 7% dos usuários de internet latino-americanos. Esta média é apenas um pouco inferior à média dos internautas dos Estados Unidos: 8% deles são blogueiros.
  • Também, de acordo com o TGI, o uso da Internet na América Latina cresceu 590% entre 2000 e 2007, o dobro da média mundial.
Tópicos copiados do press-release do The Jeffrey Group

Apresentação e análise dos resultados do estudo:
A blogosfera na América Latina: Uma análise regional da influência web

[pdf; 16 páginas]

THE BOBs
O lugar político do vencedor Generación Y

O blog Generación Y, escrito pela cubana Yoani Sánchez, foi escolhido como melhor weblog pelo júri do concurso internacional The BOBs, promovido pela rede alemã Deutsche Welle.



O blog de Yoani, que traz detalhes do dia-a-dia da população cubana, se destaca pela qualidade dos textos e pela maneira como os posts entram no ar. Como a internet residencial não é permitida aos habitantes da ilha, Yoani escreve seus textos em casa e os coloca em um pen-drive. Então, em algum hotel ou cybercafé, ela os envia aos seus amigos residentes em outros países, que colocam os posts no ar.

Como o acesso é muito caro (entre 7 e 8 dólares a hora), Yoani precisa aproveitar bem seu pouco tempo online. Em entrevista ao iG no ano passado, ela diz ter se tornado "especialista em aproveitar ao máximo" seus minutos na internet.

A blogueira Yoani Sánchez >>>

Não há como separar o blog Generación Y do posicionamento de sua autora diante do regime cubano. Ela, que defende a expansão da liberdade de expressão em Cuba, afirma não seguir nenhuma tendência política e diz se posicionar além da divisão entre direita e esquerda.

Nunca militei numa organização política, nunca, e não creio ter uma direção, uma linha política clara. Isso é algo que a pós-modernidade trouxe, também. Antes, era muito fácil definir as pessoas, os processos, como de esquerda ou de direita. Hoje, já não está tão claro.

Acho que uma das características deste momento é que já não é tão fácil dizer se alguém é de esquerda ou de direita. Eu, pessoalmente, não defino politicamente a mim mesma.

Yoani Sánchez, em entrevista ao jornalista Mauro Malin, publicada em junho de 2008 no site do Museu da Pessoa.

Em junho deste ano, Fidel Castro criticou os jovens admiradores e seguidores de Yoani Sánchez. "O grave não são as afirmações divulgadas imediatamente por meios de comunicação do imperialismo, mas sua difusão como instruções reservadas. O pior é a existência de jovens cubanos que pensem assim", declarou Fidel, segundo notícia publicada pelo Estadão.

Considerada uma personalidade fora de Cuba (Yoani é uma das 100 personalidades do ano segundo revista Time), ela é praticamente uma desconhecida na ilha, onde o acesso ao blog Generación Y está bloqueado. No post ¿Qué más se puede pedir?, em que comenta a premiação, Yoani escreve: "Pues sí, hay mucho que me falta todavía. No son precisamente premios, sino derechos largamente postergados, como el de poder ser leída dentro de mi propio país".

Entre os blogs considerados os melhores pelos internautas no The BOBs, Generación Y ficou em segundo lugar. Em primeiro está o blog chinês de divulgação científica Science Guru.

Como melhor weblog em português, venceu o Querido Leitor, de Rosana Hermann. Com um índice de atualização impressionante, o blog se define como "especializado em generalidades".

Veja alguns dos sites vencedores do The BOBs:

The BOBs - Ganhadores do prêmio do júri:
The BOBs - Ganhadores do prêmio dos usuários:

MINI-CLIPPING
Santa Catarina, Mumbai e as novas mídias


Post publicado nesta sexta (28) no blog idéia 2.0, da conferência Digital Age 2.0, fala sobre o uso de ferramentas como blogs e Twitter por cidadãos e jornalistas em Santa Catarina (vitimada pelas enchentes) e Mumbai (cidade indiana onde aconteceram atentados terroristas):

Santa Cataria e Mumbai: o Twitter na linha de frente jornalística

(...)
Os casos Santa Catarina e Mumbai, ainda que de maneira amarga, fecham um ano que comprovou como as ferramentas de integração (e o Twitter ocupa um lugar de destaque) funcionam como canais diretos de informação com conteúdo produzido por quem vive a situação noticiada, não apenas pelo repórter que não chegou a tempo de sentir o calor da ação.
Texto completo

VÍDEO
Youtube :: Tela maior e Festival do Minuto

Uma novidade: o Youtube aumentou o tamanho da tela de exibição dos vídeos.

Uma sugestão: vale visitar o canal do Festival do Minuto no Youtube - http://br.youtube.com/festivaldominuto. Boas idéias que carregam rapidinho no computador. Como norDestino, de Rodrigo Barros:

JORNALISMO CIENTÍFICO
O reinado do press-release

Jornalistas e veículos que cobrem ciência estão sofrendo de um problema de dependência. A substância viciante: press-releases, textos produzidos por assessorias de imprensa cada vez mais próximos do que se espera de uma matéria ou de um texto final. Um prato cheio para as redações com poucos funcionários e um bolo enorme de trabalho.

O tema é abordado pela jornalista Cristine Russell no texto Science Reporting by Press Release - An old problem grows worse in the digital age, publicado no site da revista Columbia Journalism Review. É a velha história: na era da internet, a periodicidade dos veículos se dissolve; é preciso atualizar as páginas minuto a minuto; há pouca gente para isso; copia-se o release, afinal, que está bem feitinho. Ufa! Conteúdo no ar.

Ou, então, o redator reescreve um pouco o texto e não entrevista ninguém. Pega algumas aspas do release mesmo. E agora? Coloca um "segundo texto divulgado pela assessoria de comunicação do instituto X"? Ahn... Pode pegar mal. Que problema há em deixar as aspas como estão? Que mal haverá se não estiver claro que eu não entrevistei o dono das aspas? Deixa assim.

Segundo Cristine e outros críticos ouvidos por ela, há, sim, um problema. Um problema ético, pois ao omitir a fonte do leitor, o jornalista toma o trabalho feito pela assessoria para si. E quem garante que a fonte disse aquilo mesmo? O assessor pode até ser uma pessoa muito confiável, mas o princípio do jornalismo ainda é a checagem - cuja motivação é a desconfiança constante.

Mas quando há muito trabalho para pouca gente, é difícil mesmo apurar tudo por conta própria. E falar continua sendo muito fácil...

MINI-CLIPPING
Abril fornecerá conteúdo gratuito para provedores

Do Portal Imprensa, em 18/11/08:

Abril Digital oferece conteúdo gratuito para provedores de internet

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA


A Abril Digital, empresa do Grupo Abril focada em segmentação de conteúdo, acaba de anunciar que disponibilizará conteúdo gratuito para provedores de internet. Em parceria com a Abranet (Associação brasileira dos provedores de acesso, serviços e informações da rede internet), o projeto consiste em fornecer conteúdo diário e atualizado aos provedores interessados. (...) texto completo


MINI-CLIPPING
Brasil é segundo em acesso a redes sociais

Da Folha Online, em 20/11/08:

Brasil se torna o segundo país em acesso a redes sociais

da Folha Online

O Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou neste ano o segundo país em acessos a redes sociais no mundo. De acordo com dados da consultoria comScore, o Brasil fica atrás apenas do Canadá, em termos percentuais, levando em conta os países com mais de 10 milhões de usuários mensais de internet. (...) texto completo

INOVAÇÕES
Google "rastreia" surtos de gripe nos EUA

O Google lançou neste mês a ferramenta Google Flu Trends, que rastreia expressões de busca relacionadas à gripe ("sintomas", "gripe", "termômetro" etc.) e, com base nelas, gera mapas e gráficos capazes de apontar a distribuição de casos e surtos da doença.

Encontramos uma forte relação entre o número de pessoas que pesquisam por tópicos relacionados à gripe e o número de pessoas que realmente têm sintomas da doença. Claro que nem toda pessoa que pesquisa por "gripe" está doente, mas surge um padrão quando se juntam as queries de pesquisa ligadas à gripe em cada estado e região. Comparamos nossos resultados de pesquisa com dados do sistema gerido pelos Centros para Prevenção e Controle de Doenças (CDC) e notamos que certas expressões de busca tendem a ser mais freqüentes exatamente quando há uma temporada de gripe. Contando o número de vezes que aparecem essas expressões, podemos estimar como a gripe está circulando em várias regiões dos Estados Unidos."
Parágrafo do texto "How does this work?", do Google

Segundo matéria do The New York Times, traduzida e publicada pelo UOL Mídia Global, testes apontam que a ferramenta é "capaz de detectar surtos regionais de gripe uma semana a 10 dias antes de serem informados pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)". Para rastrear os surtos de gripe, essas instituições recorrem a vários métodos - entre eles, a observação de pacientes por um grupo de 1.500 médicos, que colhem dados e os repassam aos Centros.

Segundo especialistas ouvidos pelo NYT, a ferramenta pode "ajudar a acelerar a resposta de médicos, hospitais e autoridades de saúde pública a uma temporada mais grave de gripe".

Gráfico e mapa gerados pela ferramenta Google Flu Trends.
No Mississippi, "flu activity" moderada em 16 de novembro de 2008.

APURAÇÃO
Adolescentes como fontes de informação

Quando é legítimo recorrer a menores de idade como fontes de informação para uma matéria? Quando é inoportuno? Quando é irresponsável?

O tema é polêmico e, infelizmente, não existem muitas respostas prontas, como mostra o texto Reading, writing and reporters, publicado hoje (17) pelo ombudsman do The New York Times. Quando a repórter Jodi Kantor, do veículo nova-iorquino, enviou mensagens no Facebook para adolescentes de 16 e 17 anos pedindo "dicas" para um perfil de Cindy McCain, muitos pais ficaram revoltados.

Kantor argumenta que ela não estava solicitando declarações dos adolescentes, mas apenas pedindo que eles indicassem pessoas que pudessem falar sobre Cindy - talvez os pais de alunos que freqüentassem a mesma escola que a filha do casal McCain. Mesmo assim, a opinião do ombudsman, Clark Hoyt, é de que Kantor errou ao enviar as mensagens. "Eu não as enviaria. Os repórteres precisam ser especialmente cuidadosos em recorrer a menores sem o conhecimento de seus pais. Quando se trata de notícia quente [breaking news], isso nem sempre é possível, mas não era o caso", escreve.

Em outra situação descrita por Hoyt, um repórter do NYT conseguiu, quase acidentalmente, o depoimento de um garoto de doze anos que havia sido testemunha de um crime cometido por policiais. O pai do garoto, segunda testemunha do caso, recusou-se a falar, mas não fez objeções à conversa do jornalista com seu filho.

A equipe do jornal verificou as informações com uma fonte na polícia. Decidiu, então, usar apenas o que foi confirmado e não dar o nome do garoto na matéria. "Eu teria feito o mesmo", declara o ombudsman. "O menino era uma testemunha independente em um acontecimento de inegável interesse público. Embora o pai não tenha dado permissão para falar com ele, os editores se certificaram de que ele sabia que seu filho havia sido entrevistado e de que ele não fizera objeções a isso."

Segundo Hoyt, é importante sempre ter em mente que crianças e adolescente não têm experiência de vida suficiente para entender o que pode acontecer quando falam a um jornalista.

Guia online
O site da Rede Andi Brasil disponibiliza um guia para jornalistas que cobrem temas envolvendo crianças e adolescentes. O material aborda algumas questões jurídicas e orienta sobre uso de imagens, necessidade de permissão e terminologia adequada.

CONTEÚDO
O legado do Napster

Matéria da Associated Press informa que, segundo um estudo da empresa Attributor Corp., a audiência de cópias não autorizadas de conteúdo é 1,5 vez maior do que nos sites originais.

Em outras palavras: senhor publisher, há menos gente lendo (ou vendo) seu conteúdo no seu próprio portal do que em sites e blogs que simplesmente copiam e colam esse mesmo conteúdo - sem a sua permissão.

Mas já que você não pode vencê-los, junte-se a eles. Melhor: lucre com eles. Segundo a Attributor Corp., o "problema" pode se tornar uma "oportunidade de ouro" se as empresas conseguirem associar anúncios a esses conteúdos. Como isso seria feito, não se explica.

Segundo o texto da AP, é do interesse da Attributor convencer os veículos de que existe essa possibilidade. O argumento da empresa é de que, para conseguir um aumento na receita, as organizações jornalísticas precisarão primeiramente identificar e contabilizar os distribuidores ilegais de seu conteúdo. E a ferramenta para isso seria justamente o software da Attributor, que rastreia essas cópias "clandestinas".

RÁDIO
Grande reportagem sobre os chimpanzés da Guiné

(Fonte: Ponto Media)

Num mundo de tantas imagens, ouvir uma boa e original reportagem de rádio restitui à simplicidade sua importância. E descansa os olhos.

A matéria Dari, Primata como Nós, com reportagem de Carlos Vaz Marques e sonorização de Alexandrina Guerreiro, foi produzida para a rádio portuguesa TSF e recebeu um prêmio de jornalismo científico, concedido pela Fundação Ilídio Pinho.

TELEVISÃO
O repórter pseudo-holográfico da CNN

Fiquei impressionada quando vi, no Youtube, o suposto uso de um holograma ao vivo na CNN. Ao que tudo indicava, a emissora havia conseguido projetar no estúdio, tridimensionalmente, o corpo de uma repórter que estava a milhas de distância dali.



Mas o "repórter holográfico" não era exatamente um holograma. A imagem da jornalista não estava sendo reconstituída em 3D no estúdio. Várias câmeras captavam imagens da repórter, que depois foram remontadas e sobrepostas à imagem do estúdio por computador.

Pela TV, o telespectador tinha a impressão de estar diante de uma projeção tridimensional - um resultado impressionante. Mas, na verdade, nem o apresentador via a repórter, nem a repórter via o apresentador. Eles olhavam para o nada.

Pode ser que, ainda assim, isso represente um grande "salto tecnológico" no jornalismo televisivo. Mas não deixa de ser uma farsa, já que em nenhum momento da transmissão a CNN deixou claro o que estava acontecendo.

No vídeo, depois de anunciar que os telespectadores veriam algo nunca antes visto na televisão, o apresentador diz que a equipe vai trazer a repórter "para dentro" do estúdio. E eis que surge a projeção. "Parece que você realmente está aqui", diz ele. Depois de passar algumas informações jornalísticas (ela cobria a contagem de votos na eleição presidencial), a repórter diz se sentir "como a princesa Léia" e explica que está dentro de uma tenda, cercada por câmeras. Vergonha alheia.









<<< Holograma em Guerra nas Estrelas
Repórter da CNN segue os passos da princesa Léia

O professor de física Hans Jürgen Kreuzer disse à CBCNews que se tratava, na realidade, de um tomograma, uma imagem capturada por todos os lados, reconstruída por computadores e apresentada na tela, enquanto hologramas são projetados no espaço.

Agora, resta esperar a versão abrasileirada do pseudo-holograma, que provavelmente estreará num conhecido programa de domingo à noite.

Humpf. Pelo menos as telas touchscreen são mais honestas.

MICROBLOGGING
Como um veículo jornalístico pode usar o Twitter?

O pessoal da BBC parece estar em dúvida. Em texto publicado no blog da rede britânica, o co-editor David Lee pede a opinião dos leitores e usuários sobre como usar o Twitter no site.

"(...) não queremos usar o Twitter apenas como um meio de dizer a vocês [leitores] que há um novo post - para isso serve nosso feed RSS.
Gostaríamos muito mais de usá-lo para finalidades mais úteis. O poblema é que não temos muita certeza de que finalidades são essas."
Tradução de parte do texto "What Shoud We Do With Our Twitter?", de David Lee

Até o momento, 12 leitores opinaram. Um deles sugere que o Twitter seja utilizado como um feed - já que não são todos os internautas que usam leitores de RSS. Outro, que ele continue sendo usado para comunicar mudanças e inovações no site. Outro, que a redação mostre, via Twitter, o processo de produção de notícias.

Outro usuário, com o qual vários concordam, sugere que Lee deixe de pensar o Twitter como uma grande ferramenta de difusão:

"Dave, use-o como o resto de nós - de várias formas, para anunciar coisas, para construir relações, para dar links para coisas legais, para dar umas risadas. Pare de pensar no Twitter como uma ferramenta de difusão e comece a ser parte da conversa."
Tradução do comentário do leitor lloyddavis

CONTEÚDO
Crie sua própria tirinha

No Make Beliefs Comix. É fácil e rápido. Você escolhe os personagens, seu "humor", coloca os balões, escreve os diálogos, e pronto. (Eita linguagem publicitária!)
Descobri o site no blog de Paulo Querido.

Minha estréia no fantástico mundo dos quadrinhos pretensamente críticos:

Traumas de graduação

REDES SOCIAIS
Site congrega pesquisadores do jornalismo

Dando uma olhada nos sites listados no meu Google Reader, descubro que Paul Bradshaw criou uma rede social direcionada a pesquisadores do jornalismo e acadêmicos da área: o Journalism Research.

E clicando aqui e ali, eu, newbie que sou, também descubro que existe um site em que os internautas podem criar sua própria rede social: www.ning.com (justamente o site usado por Bradshaw em sua referida empreitada).


E pensando um pouquinho, chego à conclusão (provavelmente atrasada) de que é impossível estar em todos os lugares interessantes da Web. Já perdi a conta de cadastros que fiz em sites por aí, cada um com uma proposta original e promissora, mas que acabam esquecidos em meio a tanta coisa.

Algumas confissões: não tenho paciência para Twitter, desencanei do MySpace, raramente entro no Facebook, pouco atualizo meu Orkut, há tempos não ouço a Last.fm e já perdi a senha do meu login no NewsCred (provavelmente ainda recuperável em algum e-mail perdido no infinito de mensagens do Gmail). Ah, meu lixo digital...

MINI-CLIPPING
A mídia e a eleição americana (II)

Eu diria que o tema vale uma tese. Mais sobre a eleição de Barack Obama e os usos da internet:


GigaBlog (do UOL Tecnologia)

Barack Obama, o presidente da Internet
O post traz alguns dados interessantes sobre a campanha de Obama na Web. Eu não sabia que ele tinha sua própria rede social, o site My Barack Obama.

"Join My.BarackObama, our online community with over a million members."


Poynter Online

Interactive Forms Give Power to Election Perspectives
Sara Quinn comenta as inovações em storytelling (narratividade?) e cita dois exemplos que lhe chamaram a atenção. Um deles é uma ferramenta interativa produzida pelo New York Times:
uma "nuvem de palavras" que convida o internauta a descrever seu humor em um adjetivo e exibe os termos mais freqüentes entre os usuários.



10000words.net

VIDEO: Time-lapse of The New York Times' election coverage
Slideshow que mostra as várias atualizações da home page do NYTimes.com das 12h de 04/11 às 13h do dia 05/11.


Online Journalism Blog

Elections08: Storytelling with public databases
O autor, Wilbert Baan, publica três ferramentas em flash atualizáveis que importam dados diretamente do Twitter. Em uma delas, o usuário seleciona uma ou mais palavras de um quadro, a ferramenta faz uma busca e traz uma postagem recente com o(s) termo(s) selecionado(s).

Escolhendo, por exemplo, as palavras "Obama", "Crisis" e "Muslim":

MINI-CLIPPING
A mídia e a eleição americana (I)

Um apanhado do que saiu nesta quarta (05), em alguns sites, sobre a eleição de Barack Obama, o uso da internet e o comportamento da mídia ao longo da campanha:


Jornalistas da Web



Portal Imprensa



Observatório da Imprensa

A vitória da internet
"Com a internet foi possível antecipar a vitória de Obama. Mas a internet não é apenas instrumento da cobertura eleitoral. Foi também o principal veículo de campanha – e seu uso inteligente talvez um dos segredos da vitória de Barack Obama."
Luciano Martins Costa, no texto "A vitória da internet"

O voto americano visto do Brasil
"Ficar em casa, aliás, é modo de dizer: dia de eleição é dia de trabalho – razão por que este ano milhões de americanos, muitos deles presumivelmente eleitores de Obama, enfrentaram horas de fila no domingo nos lugares que permitem o voto antecipado. O Estado de S.Paulo da segunda-feira trouxe uma boa matéria a respeito, descrevendo a situação numa seção eleitoral de Palm Beach, na Flórida."
Luis Weis, no texto "O voto americano visto do Brasil"



www.robbmontgomery.com

Best front pages from US election



The Editors Weblog

Kenya: Covering the election of Barack Obama
"The Daily Nation felt it was important to tell the story of Obama's campaign and victory from a Kenyan perspective, for example, the video footage section on the web edition not only includes Obama's speeches and footage of American reactions, there is also extensive coverage of the celebrations in Kenya following the result and reactions from Kenyan politicians. The small village of Kogelo in Western Kenya was at the heart of the Daily Nation's coverage and the site features interviews with Obama's grandmother and other members of his family who have had to rapidly get used to the media spotlight."
Katherine Thompson, no texto "Kenya: Covering the election of Barack Obama"


Journalism.co.uk

So was it the 'Blogs Wot Won It' for Barack?

"This was the year for multimedia to really come into its own. The public outside the electoral college had a chance to participate from afar. Many bloggers might not have had a vote, but they could be influential: by spreading round a Sarah Palin debate flow-chart, casting a vote on a remote voting map, or putting a supporting button onto their sites (the online version of the rosette)."

CNN.com sees 400 per cent traffic spike by Tuesday afternoon
CNN.com Live (with has four simultaneous live streams), had generated 1.6 million views domestically and internationally - seven times higher than an average full day.


The Big Money

The Media-Go-Round Stops - The election is over. What happens to the political press?


"The most intriguing future rests with the new Internet upstarts. Many new sites have emerged from this election, but the Huffington Post and Politico have particularly secured their positions among the digi-elite. According to Compete.com, a Web-visit-tracking site, Huffington is topping 5 million unique visitors a month, and Politico is topping 3 million. But almost all of that traffic is still a result of the horse race, and that bubble will soon pop. After the 2004 race, then-emerging political force Wonkette reportedly lost 40 percent of its audience."
The Media-Go-Round Stops"


OJR

What can news publishers learn from the Obama campaign?

"Here's my suggestion, whether you work at a newspaper or a hyperlocal start-up: Read Exley' story. Then find a few local Obama campaign leaders and take 'em out for coffee or lunch. Tell them what you are doing and ask about how they built their connections within the community. Learn how you can build a passionate loyal following among new (and newly energized) voters, as well as among local businesses."

INOVAÇÕES
Eleição americana :: Canal do Youtube traz vídeos feitos por eleitores


O canal Video your vote do Youtube traz vídeos feitos por norte-americanos sobre o processo de eleição local. Estão disponíveis 338 vídeos, divididos nas categorias "early voting", "notable voter", "voting perspectives", "voting intimidation", "polling place problems" e "registration problems". O projeto é resultado de uma parceria do Youtube com a emissora PBS.

Mais sobre a mídia e a eleição americana:

US: Obama's campaign: a model for newsrooms
(The Editors Weblog)

US: New media boost from Presidential election (The Editors Weblog)

US election coverage - who's making the most of the web?
(Online Journalism Blog)

MINI-CLIPPING
iG reformula seu canal de jornalismo colaborativo

Do Portal Imprensa, em 03/11/08:

Portal iG reformula "Minha Notícia", canal de jornalismo colaborativo

Redação Portal IMPRENSA

Nesta segunda-feira (3), o Portal iG lançou a versão reformulada do canal de jornalismo colaborativo "Minha Notícia". Com novas ferramentas, como a assinatura via RSS, tags para assuntos mais noticiados e rankings dos colaboradores mais ativos, das notícias mais lidas e das regiões do Brasil com maior participação, a intenção é ampliar a participação do internauta, que agora poderá enviar também fotos, vídeos e arquivos de áudio. (...) texto completo
Ranking de notícias mais lidas no canal às 17h de 03/11/08 >>>

VÍDEO
O que você gostaria que acontecesse
antes que este dia acabe?

50 pessoas respondem.
Um simpático mini-documentário disponível na Web [em inglês]:


Fifty People, One Question: New Orleans from Benjamin Reece on Vimeo.

WEB
Ódiokut :: Quando uma rede social é usada para propagar a violência

Assim como o papai adotivo Google, o pequeno Orkut também sofre do transtorno de dupla personalidade. Sim, você pode se conectar a amigos, conhecer novas pessoas, trocar idéias em comunidades. E, sim, também é possível criar um perfil falso e propagar o ódio contra qualquer coisa ou qualquer grupo de pessoas - sem, digamos, correr muitos riscos de ser penalizado pela justiça.

Eu sempre soube que havia esses grupos violentos no Orkut. Mas notei mais profundamente a gravidade disso há pouco tempo, depois de ler o post "Donos de mulheres S.A." no blog Escreva Lola Escreva (muito bom, por sinal). O texto comenta algumas manifestações chocantes, postadas no Orkut, em favor de Lindemberg Alves, que seqüestrou a matou a ex-namorada Eloá em Santo André (SP). O tópico "quem sou eu" do perfil do criminoso, agora "administrado" pelo primo, é de embrulhar o estômago. E não menos aversivas são as comunidades que tentam justificar o crime com base em argumentos machistas e misóginos.

Sem palavras. É de uma violência sem tamanho, dirigida explicitamente a Eloá, mas que atinge a todas as mulheres. São comunidades que chegam a congregar milhares de pessoas, embora boa parte delas esteja lá para discordar dos criadores e defensores do grupo.

Muitos dizem denunciar essas comunidades no próprio Orkut. Mas elas continuam lá, pregando covardemente o ódio e a violência contra mulheres, nordestinos, negros, homossexuais. Deletá-las seria atentar contra a liberdade de expressão? É uma questão complexa, mas acho que cair num relativismo sem limites é perigoso demais. Deletá-las ajudaria a combater o preconceito que está por trás dessas manifestações? Sinceramente, não sei.

Fica a tristeza e a revolta.



Fiz uma busca no Google Scholar por artigos acadêmicos sobre o Orkut. Encontrei um muito interessante: A auto-regulação interna do Orkut pelos usuários (pdf), de Flávia Ataide Pithan e Maria Isabel Timm, publicado na revista Interin, da Universidade Tuiuti do Paraná. Um pequeno trecho:

"Devido à falta desse controle severo, muitas comunidades que não deveriam existir segundo as regras definidas pelo site podem ser encontradas. Apresentam conteúdo racista, neonazista e terrorista, como já citado anteriormente. Apóiam o crime, a contravenção, o uso de drogas e a barbárie. O controle destas comunidades, que idealmente deveria ser realizado pelo criador do site ou uma equipe destinada para isto, muitas vezes tem sido executado pelos próprios membros da rede, os quais se unem para eliminar usuários que abusam da liberdade proporcionada pelos motivos já citados. Apesar disso, as comunidades censuradas encontram meios de despistar a repressão utilizando nomes mascarados. Quando são excluídas da rede, voltam com novo nome e seguem apoiando e divulgando as mesmas idéias anteriores."

ANÁLISE
A dupla personalidade de Mr. Google

O Google é ao mesmo tempo bom e mau, uma co-produção Orwell-Disney. É o que conclui o historiador Andrew Kenn no texto Will life on planet Google be a nightmare or a dream?, publicado nesta segunda (27) no site do jornal britânico The Independent.

Ao mesmo tempo em que a gigante companhia quer ser uma facilitadora, organizando informações para o cidadão comum (como, talvez, um herói coletivo e simpático de um filme poliano da Disney), ela reúne dados de uma tal maneira que seu controle seria o sonho de qualquer proto-ditador com fantasias de Grande Irmão.

Kenn, um crítico da cibercultura [veja, por exemplo, esta entrevista publicada na revista Época], toma como exemplo os subtítulos que acompanham o livro Planet Google, de Randall Stross, nos EUA e na Inglaterra: respectivamente, One Company's Audacious Plan To Organize Everything We Know [O audacioso plano de uma companhia para organizar tudo o que conhecemos] e How One Company is Transforming our Lives [Como uma companhia está transformando nossas vidas]. Para o historiador, o primeiro tem um tom "animador", enquanto o segundo é um tanto "agourento".

Para o autor Randall Stross, escreve Kenn, o Google está além do bem e do mal. A companhia quer mesmo organizar toda a informação disponível. Eric Schmidt, CEO do Google, prevê que, em 300 anos, 100% dela estará indexada pelo mega-buscador. Hoje, essa taxa está entre 2% e 3%.

INTERNET
Imagem e reputação no meio digital

Sua empresa pisou na bola com um cliente? Se ele for um usuário de internet, talvez com um blog e um perfil numa rede social, o "caso isolado" pode se tornar causa coletiva.

Sobre a capacidade de amplificação da Web:

PESQUISA
Como os blogs influenciam a prática jornalística

O jornalista norte-americano Paul Bradshaw publicou no Online Journalism Blog os resultados de um levantamento sobre a percepção dos jornalistas em relação ao uso dos blogs. Links para os resultados e análises [em inglês]:

pt 1. Context and methodology
200 jornalistas blogueiros, de 30 países, responderam à pesquisa de Bradshaw. Mais da metade é da América do Norte. Cerca de 50% atua no jornalismo impresso; cerca de um terço, no meio on-line.

pt 2. Blogs and news ideas: "The canary in the mine"

"There is evidence of an increasing disintermediation of the editor’s role - understandably, as the editorial role of determining the reader’s identity and needs is undermined when writers, through their blogs, have a closer, more immediate and reliable access to that information."

pt 3. Blogs and story research: "We swapped info"
"As highlighted previously, blogging journalists report finding it easier to find sources who don’t come from a government agency or professional association, and to keep up with events they are not participating in.
(...)
But for some the pressure to publish meant more reliance on rumours, and less rigorous research, with the onus placed on blog readers to clarify and fact-check."

pt 4. Blogs and news production: "I think in hyperlinks, even when working in print"
"Perhaps the most significant change was in the way that blogs provided a platform for stories or detail that would otherwise not make the print or broadcast version at all. Respondents talked of augmenting coverage that 'would otherwise fall in the cracks', of pieces that were interesting, but wouldn’t merit space in the paper, or that use elements that “don’t necessarily fit into the rigid lengths of radio pieces.'"

pt 5. Post-publication: "You've got to be ready for that conversation"
"The ability to enter into correspondence with users, to fix errors and post updates were frequently identified as changing journalistic work, turning on its head Lowrey’s sugestion that bloggers 'often emphasise immediacy and opinion at the expense of accuracy' (2006) and that journalism would protect itself by focusing on editing; responses suggest that, conversely, journalists are relying on commenters to contribute to the editing process."

INOVAÇÕES
Documentário interativo associa conteúdo extra a momentos do vídeo principal

Para quem se interessa pelas novas e possíveis formas de se contar uma história na Web, vale dar uma olhada no documentário Nação Palmares, assinado por vários jornalistas e disponível no site da Agência Brasil.

Em certos momentos do vídeo principal, surgem ícones na tela para outros vídeos e textos relacionados ao tema tratado naqueles instantes. Se o usuário clicar, o vídeo principal é pausado e surge uma caixa com o conteúdo extra. Depois, volta-se facilmente à história principal, do ponto onde se parou.

Também é possível acessar esses conteúdos a partir de botões no canto direito superior. Não sei se é porque estou acostumada a assistir a vídeos de forma "linear", mas prefiro essa opção "sob demanda", mais tradicional: ver o vídeo principal primeiro e, depois, acessar os outros conteúdos.

Mas a idéia de associar visualmente esses conteúdos aos momentos do vídeo a que estão vinculados é muito interessante, pois contextualiza. Pena que os ícones não dêem muita idéia do conteúdo que abrem. Fiquei pensando e achei que trocar esses ícones por pequenas chamadas do material extra na caixa cinza à direita seria uma boa alternativa. Mas talvez o movimento e a troca de conteúdo na caixa incomodassem o usuário. A se pensar.