Um apanhado do que saiu por aí (=internet) sobre jornalismo e mídia, no mais tradicional espírito de "adeus, ano velho; feliz ano novo":

terça-feira, 30 de dezembro de 2008 às 18:28 Postado por Flávia
Um apanhado do que saiu por aí (=internet) sobre jornalismo e mídia, no mais tradicional espírito de "adeus, ano velho; feliz ano novo":

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 às 11:01 Postado por Flávia
O jornalista Mark Glaser publicou no blog MediaShift uma lista dos dez acontecimentos (ou fatos, ou ocorrências, ou narrativas) que mais marcaram a comunicação via Web em 2008. Os tópicos e sua importância foram definidos em votação feita entre os leitores do blog.
São acontecimentos e temas relacionados principalmente à Web e ao mercado norte-americanos. Portanto, não valem totalmente para o Brasil. Mas como as coisas que acontecem no norte tendem a escorrer até o sul com o tempo, a lista talvez antecipe algumas das coisas que estão por vir nestas bandas de cá.
A lista do MediaShift:
1. O uso que Obama fez da internet em sua campanha.
In 2007, Twitter gained notice beyond being a casual micro-blogging tool during the bridge collapse in Minneapolis and the Southern California wildfires. In 2008, Twitter became a "first-responder" platform to hear about an earthquake in China and the terrorist attacks in Mumbai. While it's difficult to report a story on Twitter, it's easy to get a quick text note out to the "Twittersphere," which then could get picked up by journalists, who are now using the platform even more.Mark Glaser, no post Top 10 MediaShifting Stories of 2008
So just how has the recession brought about a media shift? In advertising, traditional media has suffered mightily from the downturn, while many online ad types -- including paid search, dominated by Google -- have been spared so far. Zenith Optimedia, for instance, predicted that online advertising worldwide would be up 18% next year, even as overall U.S. advertising is predicted to drop 6.2%. Still, Internet startups trying to depend on advertising alone are having a tough time getting funding.Mark Glaser, no post Top 10 MediaShifting Stories of 2008
Most journalists would report in the "he said/she said" style without saying an ad was blatantly false or not. That left an opening for sites like FactCheck.org and PolitiFact to jump in and offer non-partisan fact-checking on political speech.Mark Glaser, no post Top 10 MediaShifting Stories of 2008
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008 às 17:04 Postado por Flávia

Vi, na quinta passada, a fotografia premiada como melhor do ano pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef). A imagem, de autoria da belga Alice Smeets, mostra uma menina em uma favela em Porto Príncipe, no Haiti. Pensei em postar algo aqui, mas achei que não "caberia" no espírito do blog - mais direto, pragmático e neutro, segundo minhas ilusões de autora.
Mas, dias depois, com a lembrança da imagem ainda na cabeça, decido postá-la e comentar que há muito mais nela do que pobreza, dois porcos e uma garota de vestido branco. Porque é isso o que vemos: a contradição do ambiente com a roupa da menina, talvez de festa. E festa lembra alegria, que não combina com pobreza, certo?
As coisas não são bem assim. Talvez tudo o que a menina esteja vendo é seu vestido e a ocasião para a qual ela o veste - uma festa de aniversário, um casamento, um feriado, uma brincadeira ou a mera vontade de vesti-lo.
Ela provavelmente não vê o ambiente em que está como nós o vemos, triste e inabitável. Nossa narrativa, de espectadores fora da situação, tende a colocar a pobreza em primeiro plano. Na dela, de participante, é a ocasião do vestido branco que está em destaque.
Mas, de novo, eu estou de fora, e tudo isso é uma hipótese.
Faz sentido?
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008 às 13:17 Postado por Flávia
Dizem por aí que os jornalistas estão com os dias contados, que os blogs e o jornalismo cidadão/colaborativo/não-profissional vão dominar o mundo. Então, jornalistas, seus seres defasados, inventem outras coisas para fazer!
Já pensei em usar o diploma para prestar concurso público e virar motorista de metrô ou fiscal de reservas ambientais. Mas esta lista, criada pelo blog sueco Mindpark e traduzida para o inglês pelo blog Beta Tales, apresenta funções muito mais condizentes com o que um jornalista pode fazer, utilizando seus conhecimentos (?) de internet, novas tecnologias, redes sociais, medição de audiência...
Em tradução rápida para a língua de Saramago, num futuro não tão distante os jornalistas podem ser: editores de busca, editores de estatísticas, editores de projetos, editores de links, editores de comunidades, editores de rede e conversação, editores de tags, editores de mashup, editores de qualidade Web e editores de Internet (como tema).
Via Ponto Media
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008 às 12:02 Postado por Flávia
Ótima notícia para aqueles que estudam o jornalismo: está no ar o acervo digital da revista Veja, com a íntegra de todos os exemplares da revista desde 1968, quando foi criada. O investimento no projeto de digitalização foi de R$ 3 milhões.
É interessante navegar pelos exemplares antigos (década de 90 para trás) da revista e notar a metamorfose sofrida por ela na última década, quando se tornou uma espécie de manifesto anti-esquerda travestido de jornalismo e alimentado pela intransigência.
Vale comparar, por exemplo, duas matérias de capa sobre o mesmo tema: o mito em torno de Che Guevara. A mais recente, publicada em outubro de 2007: Che - A farsa do herói. Verdades incovenientes sobre o mito do guerrilheiro altruísta, quarenta anos depois de sua morte. A mais antiga, de julho de 1997: A ressurreição de Che Guevara.
Enquanto a matéria de 2007 dedica-se a enquadrar Che Guevara na categoria de mito do mal e da patetice, mesmo que para isso seja preciso passar por cima de princípios do jornalismo, a de 1997 pode ser chamada de reportagem e contém parágrafos que seriam simplesmente impensáveis na Veja de hoje. Traz, por exemplo, a seguinte legenda para um conjunto de fotos:
James Dean, Jimi Hendrix e John Lennon também são ícones da juventude - a vida deles se encerrou abruptamente, alimentando o mito. Che Guevara morreu por suas idéias, aos 39 anos. Parecia ter menos e se comportava como se tivesse a metade. Deixa um legado universal de solidariedade e desprendimento, captado com avidez pelos combatentes de Chiapas, no México, ou pelo Movimento dos Sem-Terra, no Brasil. Desprezou as armadilhas do poder, acreditou que moveria montanhas e, ao morrer, se tornou imortal.
Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa - "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto." Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada.* Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia, o apelo desesperado pela própria vida e o reconhecimento sem disfarce da derrota não combinam com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, argentino de Rosário, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas "el chancho", o porco, porque não gostava de banho e "tinha cheiro de rim fervido".
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008 às 14:13 Postado por Flávia
Finalmente! Achei um texto que problematiza a "crise". Não os desaquecimento econômico provocado pelas tais hipotecas nos EUA, mas a palavrinha tão adorada pelos noticiários. "Crise". Submanchete no UOL: Presidente Lula pede que bancos baixem juros para amenizar efeitos da crise. Título no canal de economia do Terra: Medidas anticrise já passam dos R$ 250 bilhões no Brasil. Chamada da Época Negócios no G1: Crise foi parar até nas camisetas.
Em inglês, "crisis", que é também o termo que os veículos americanos têm usado com maior freqüência. O texto que problematiza a questão: No Question We're in a Financial Pickle. What Do We Call It?, de Brian Stelter, no site no The New York Times (sim - ele, de novo).
Traduzindo livremente alguns trechos:
"Os veículos noticiosos sempre sentem a necessidade de nomear tudo", disse Jonathan Wald, vice-presidente sênior de negócios jornalísticos da CNBC. "Se não está rotulado, não existe na televisão moderna". Ele observou que os canais de televisão na Índia rapidamente rotularam os ataques do mês passado em Mumbai como "Guerra em Mumbai" e "11 de setembro da Índia".
(...) atribuir um nome e um "logotipo" para um acontecimento corre o risco de desvalorizá-lo [talvez "pervertê-lo" seja um termo melhor] na mente do público. A tendência de se chamar todo escândalo potencial de "gate", em alusão a Watergate (...) "tende a desvalorizá-lo", disse Wald.
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008 às 14:37 Postado por Flávia
(a) Prêmio Esso divulga vencedores de 2008 e (b) Pulitzer estende premiação para textos publicados na internet.
(a) Do Portal Imprensa, em 10/12/2008:
Matéria polêmica sobre a Igreja Universal rende Prêmio Esso a Elvira LobatoRedação Portal IMPRENSA
A jornalista Elvira Lobato, repórter da Folha de S.Paulo e autora da matéria "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", que falava sobre os bens adquridos pela Igreja desde a sua fundação, foi a grande vencedora do "Prêmio Esso de Jornalismo 2008". A premiação da profissional ocorreu na última terça-feira (9), em evento realizado no Hotel Copacabana Palace, em São Paulo (SP). (...) texto completo, com lista dos premiados
(b) Do Blog do GJOL, em 09/12/2008:
O Pulitzer Prizer, a principal premiação jornalística dos Estados Unidos, anunciou que vai expandir a sua premiação, incluindo a partir de agora, textos publicados na internet. As submissões (...) serão incluídas nas 14 categorias que a organização já premia. (...) texto completo
Marcadores: esso, prêmio, pulitzer 0 comentários
terça-feira, 9 de dezembro de 2008 às 15:56 Postado por Flávia
O site do jornal The New York Times está levando a sério a "tendência" de se publicar links para conteúdos de outros veículos. Agora, os usuários do NYTimes.com têm a opção de visualizar o site com uma home page alternativa. Ela mantém os mesmos títulos da home tradicional, mas acrescenta pequenas caixas logo abaixo das chamadas, com links para matérias sobre o assunto publicadas por outros sites e blogs.
As listas de links na nova home page são alimentadas pelo agregador Blogrunner, da The Times Company, que cria os rankings com base na popularidade das páginas na Web.
Para mudar da home page tradicional para a alternativa, o usuário precisa acessar o site e clicar no botão "Try our Extra Home Page", no canto superior direito da página, logo depois do nome do veículo e da data:
Aberta a home page alternativa, o usuário tem a opção de voltar à home tradicional clicando no botão "Switch back".
Chamadas na home page convencional do NYTimes.com:
E na home alternativa, com listas de links para outros veículos na Web:
Para a vice-presidente e chefe de publicidade do The New York Times Media Group, a criação da nova home é uma forma de responder às demandas da audiência por "interatividade, comunidade, multimídia, notícias e informação", segundo texto de divulgação distribuído pela empresa. Com isso, o site se tornaria mais atrativo para anunciantes - o que seria providencial, já que o NYT pretende hipotecar o edifício de sua sede para pagar uma dívida que chega a U$ 1 bilhão.
Marcadores: concorrência, home page, inovação, link, New York Times 0 comentários
domingo, 7 de dezembro de 2008 às 20:28 Postado por Flávia
Começou com o setor de call centers. Ao ligar para o fabricante para tirar uma dúvida sobre algum produto, um consumidor norte-americano tem grandes chances de falar com um indiano, trabalhando na Índia, com um inglês praticamente perfeito e um salário muito menor do que o de um sobrinho do Tio Sam. É o tal do outsourcing.
Agora, esse tipo de terceirização chega ao jornalismo. O site californiano Pasadena Now trocou seus repórteres americanos por indianos, que "apuram" suas matérias por telefone e e-mail - ou, simplemente, dão um "tapa" nos releases recebidos (prática muito comum, a julgar pelo conteúdo do site). Enquanto os jornalistas dipensados recebiam em torno de U$ 2.800,00 por mês, os indianos recebem U$ 7,50 por mil palavras.
Mais detalhes, em português, no post Outsourcing de jornalistas pela web, no blog Internet Buzz, de Sandra Carvalho.
E, em inglês, na coluna de Maureen Dowd, no The New York Times.
Marcadores: EUA, índia, outsourcing, pasadena now 0 comentários
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008 às 10:35 Postado por Flávia
A agência americana The Jeffrey Group realizou um estudo sobre o desenvolvimento da blogosfera em países da América Latina. Foram analisados 168 dos blogs especializados mais acessados no Brasil, na Argentina, no México e na Venezuela. Seus autores foram entrevistados pela antropóloga Soledad Laborde, pesquisadora da agência, afirma texto de divulgação publicado pelo The Jeffrey Group [press-release; pdf; 3 páginas].
Segundo a agência, merecem destaque as seguintes conclusões do estudo:
Marcadores: América Latina, blogosfera, blogs, estudo, The Jeffrey Group 0 comentários
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