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APURAÇÃO
Adolescentes como fontes de informação

Quando é legítimo recorrer a menores de idade como fontes de informação para uma matéria? Quando é inoportuno? Quando é irresponsável?

O tema é polêmico e, infelizmente, não existem muitas respostas prontas, como mostra o texto Reading, writing and reporters, publicado hoje (17) pelo ombudsman do The New York Times. Quando a repórter Jodi Kantor, do veículo nova-iorquino, enviou mensagens no Facebook para adolescentes de 16 e 17 anos pedindo "dicas" para um perfil de Cindy McCain, muitos pais ficaram revoltados.

Kantor argumenta que ela não estava solicitando declarações dos adolescentes, mas apenas pedindo que eles indicassem pessoas que pudessem falar sobre Cindy - talvez os pais de alunos que freqüentassem a mesma escola que a filha do casal McCain. Mesmo assim, a opinião do ombudsman, Clark Hoyt, é de que Kantor errou ao enviar as mensagens. "Eu não as enviaria. Os repórteres precisam ser especialmente cuidadosos em recorrer a menores sem o conhecimento de seus pais. Quando se trata de notícia quente [breaking news], isso nem sempre é possível, mas não era o caso", escreve.

Em outra situação descrita por Hoyt, um repórter do NYT conseguiu, quase acidentalmente, o depoimento de um garoto de doze anos que havia sido testemunha de um crime cometido por policiais. O pai do garoto, segunda testemunha do caso, recusou-se a falar, mas não fez objeções à conversa do jornalista com seu filho.

A equipe do jornal verificou as informações com uma fonte na polícia. Decidiu, então, usar apenas o que foi confirmado e não dar o nome do garoto na matéria. "Eu teria feito o mesmo", declara o ombudsman. "O menino era uma testemunha independente em um acontecimento de inegável interesse público. Embora o pai não tenha dado permissão para falar com ele, os editores se certificaram de que ele sabia que seu filho havia sido entrevistado e de que ele não fizera objeções a isso."

Segundo Hoyt, é importante sempre ter em mente que crianças e adolescente não têm experiência de vida suficiente para entender o que pode acontecer quando falam a um jornalista.

Guia online
O site da Rede Andi Brasil disponibiliza um guia para jornalistas que cobrem temas envolvendo crianças e adolescentes. O material aborda algumas questões jurídicas e orienta sobre uso de imagens, necessidade de permissão e terminologia adequada.

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